quinta-feira, janeiro 27, 2011

Mas e meus R$ 63?


Não sei se o fiel leitor do Finanças e Ciladas – se tá lendo é fiel mesmo, até porque não escrevo há séculos – está acompanhando essa discussão da cobrança a mais nas contas de luz de 2002 a 2009. Para que você possa entender, vou resumir de uma forma bem simplista (me perdoem os especialistas do setor): a metodologia de reajuste tarifário anual nesse intervalo de tempo não previa o repasse para o consumidor (eu, tu, eles) dos benefícios obtidos pelas distribuidoras (Light, Ampla, Eletropaulo, etc) com o aumento do número de clientes – se um transformador atendia um cliente e no dia seguinte passa a atender dois sem necessidade de investimento extra, o custo de fornecimento unitário cai e distribuidora embolsa, certo?
No ano passado, o Tribunal de Contas da União (TCU) “descobriu” isso. A conta: R$ 7 bilhões (R$ 12 bilhões, corrigidos) cobrados a mais de 2002 a 2009 e embolsados pelas distribuidoras. E mandou a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) rever a metodologia para que o consumidor possa ser beneficiado pelo aumento do número de clientes. A Aneel reviu a metodologia e passou a incorporá-la nos novos reajustes.
Mas e os nossos R$ 7 bilhões (R$ 12 bilhões)? Fazendo uma conta rasa, cada um de nós 190 milhões de consumidores deveria ser ressarcido em R$ 63. Lógico que a conta não é essa, mas é só pra efeito ilustrativo.
Um grupo de deputados resolveu  brigar por essa ninharia. E pediu que a Aneel analisasse novamente a legalidade dos reajustes entre 2002 e 2009 e que obrigasse as distribuidoras a devolver a grana. A Aneel negou o pedido e ficamos todos a ver navios (se tiver luz, é lógico).
Aqui abro um parênteses conclusivo para o argumento final do texto. As distribuidoras não repassavam o benefício ao consumidor porque NÃO ESTAVA PREVISTO EM CONTRATO DE CONCESSÃO. Logo, elas cumpriram o contrato a risca (lógico que elas sabiam do ganho que tinhaM, mas se o contrato não previa, porque repassariam?). Portanto, elas não têm de devolver nada. Fizeram tudo dentro da mais absoluta legalidade e não há o que se questionar.
Mas e os meus R$ 63? Perdi playboy?
Ao que tudo indica, sim. Mas se alguém tem que devolver esses R$ 12 bilhões à população, é a União, que foi quem, em primeira instância, concedeu um serviço público com um contrato que lesa o consumidor de energia.
Acho que os deputados têm de voltar sua artilharia para a Casa ao lado, no caso, o Executivo, a União, a Viúva (não, a presidente Dilma não é viúva, só é divorciada). A União é que deveria devolver esses bilhões para o povo.
Mas eu, se fosse vc, não fazia planos com essa grana para o fim de semana.

quarta-feira, dezembro 09, 2009

Quando a saúde o bolso andam juntos


Aqui na empresa, o chefe baixou ontem uma norma que proíbe os fumantes de exercerem seu vício mesmo dentro do "fumódromo", que era uma área próxima à escadaria do prédio. A proibição veio a reboque da lei 5.517/2009, que proíbe o fumo em locais fechados.

Passando longe de opinar se essa lei é ou não arbitrária demais, queria deixar aqui um registro financeiro: se este regulamento, de fato, desestimular as pessoas a fumar – aqui no prédio, perde-se um bom tempo para ir lá embaixo, onde é permitido – a economia anual que o fumante de um maço por dia pode fazer chega a quase R$ 1.000. Em cinco anos, seria possível juntar pouco mais de R$ 5 mil, levando em consideração os juros da Selic. Em 10 anos, cerca de 12 mil.

Os benefícios a longo prazo são ainda maiores. Parando de fumar, a tendência é que o ex-fumante precise recorrer menos a médicos e remédios ao longo da vida. Tenho um exemplo em casa - meu pai - que se não fosse a ajuda do Estado, estaria gastando certamente mais de R$ 2 mil por mês com remédios e aluguel de oxigênio. Em tempo, meu pai tem DPOC, doença causada pelo cigarro.

Fica aí a dica de saúde e financeira.

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Números e coração

Desde que comecei a escrever neste espaço muita coisa mudou na minha vida financeira. E depois de tentar passar algo para os meus leitores, acabei vendo que ainda tinha muito o que aprender. E que, às vezes, é simples ensinar, dar dicas, mas na hora de tomar as próprias decisões financeiras, acabamos levando em consideração não somente a frieza dos números, mas todo o contexto em que estamos vivendo naquele momento.

Um exemplo prático. No início deste ano deccidi finalmente comprar o meu tão sonhado apartamento. Fiz e refiz as contas e vi que a prestação caberia no meu bolso e ainda sobraria algum. Financeiramente, o certo seria eu ter esperado, primeiro a crise financeira passar, depois juntar todo o dinheiro para dar à vista. Mas quanto tempo eu teria de esperar por isso? E o sacrifício de ir todo dia da Zona Oeste ao centro do Rio com nosso caótico transporte público?

Se eu tivesse colocado na ponta do lápis, continuaria lá em Realengo por mais uns bons anos, com uma boa sobra de dinheiro no final do mês, mas vivendo aquele cansaço diário do deslocamento casa-trabalho-casa.

Arrisquei e hoje estou feliz com a compra que fiz. Chego no trabalho em 30 minutos e tenho mais tempo para fazer as coisas. Até dormir mais tarde, como adoro, eu posso.

Mas mesmo arriscando, fiz muita conta antes. Mantendo o padrão de vida, os gastos não podiam ultrapassar a soma total do meu salário. E não passaram. Mas nesse meio tempo tive que fazer obras no apartamento novo. E aí sim a coisa complicou. Portanto, quando comprar um apartamento, sempre leve em consideração o montante que será necessário para fazer reformas. Geralmente, o orçamento estoura e você acaba gastando muito mais do que previu. Então, fique ligado.

Quando for comprar um imóvel, leve também em consideração o preço do condomínio. Tem uma conta simples de fazer que você traz a valores de hoje a cota do condomínio que vc pagará pelo resto da vida. Pegue o valor do condomínio e multiplique por 12 meses. O valor encontrado é dividido pela taxa Selic atual menos a previsão de inflação. O valor encontrado você soma ao preço do imóvel, para saber o real valor do mesmo.

Ex:

Preço do imóvel (p) = R$ 200 mil
Condomínio (c)= R$ 600
Taxa selic (s) = 8,5% = 0,085
Inflação prevista (i) = 3,5% = 0,035

Então temos =  c*12/(s-i) = 600x12/(0,085-0,035) = 7200/0,050 = 144.000

Portanto, na verdade voce nao está comprando um apartamento de R$ 200 mil, mas sim de R$ 344 mil. Isso é extremamente útil se você está comparando o preço de uma casa (sem condomínio) com um prédio. Leve em conta, no entanto, que nas casas há um gasto anual de manutenção externa, além da conta de água. Se tiver piscina então, o gasto é grande. Não tenho elementos para dizer de quanto é esse gasto. Mas se vc sabe, aplique a fórmula acima para poder comparar os dois imóveis. A má notícia é que essa conta só vale para quem está comprando, nunca para quem está vendendo.

No próximo post, pretendo falar um pouco da minha volta, depois de um ano à renda fixa.

Um abraço a todos.

quarta-feira, setembro 02, 2009

O pré-sal e seu bolso

O governo apresentou na segunda-feira em tom extremamente nacionalista os projetos de lei que enviará ao Congresso para a criação de um conjunto de regras para a exploração petrolífera das áreas marítimas chamadas de pré-sal. Os PLs serão discutidos pelo Congresso nos próximos meses. Em linhas gerais, a ideia do governo é garantir uma participação mínima da Petrobras em todas as áreas do pré-sal, aumentar o capital da empresa, aumentar o controle do que será produzido nessas áreas e aumentar a fatia a que tem direito decorrente da produção de petróleo nessas áreas. Ao aumentar sua arrecadação, o governo prega que destinará esses recursos à educação, saúde, pobreza (bolsa família)

E como isso mexe com o seu bolso?

Se você tem ações da Petrobras, até a aprovação dos PLs e do início da produção dos primeiros campos sob o novo regime de partilha, espere muita volatilidade. Os analistas de mercado estão receosos com relação à capacidade de investimento da petroleira nos projetos, à perda de competitvidade de fornecedores (porque a Petrobras será operadora única) e à forma como o governo injetará capital na empresa.

Se você é um cidadão comum, no curto prazo, nada muda. As primeiras áreas ainda não concedidas do pré-sal só estarão produzindo – e rendendo dividendos ao país – para lá de 2020.

A gasolina também não deve baixar de preço. Até onde se sabe, não viraremos uma Venezuela. O monopólio estatal não foi restituído. Cada vez mais, a tendência é que os derivados do petróleo sigam a cotação internacional, já que um dos pilares do novo marco regulatório prevê que se torne exportador de derivados e não de petróleo cru.

Portanto, não espere mudanças significativas em sua vida no curto prazo. Fica só a esperança que os recursos a serem arrecadados pelo governo sejam aplicados em educação, que é a base sólida para qualquer país do mundo que tenha a mínima aspiração de ser uma potência econômica em nível global.

quarta-feira, agosto 26, 2009

Voltando ao mercado

Primeiramente, gostaria de pedir desculpas aos leitores que abandonei nestes praticamente 12 meses longe do Finanças e Ciladas. Faltou-me tempo e, confesso, estímulo, para continuar a escrever por aqui.

Hoje, contudo, volto para relembrar o que escrevi dois posts abaixo, sobre a queda no mercado de ações diante da crise financeira mundial. Destaco alguns tópicos:

-Vender ou não vender: naquele momento, com a queda, muita gente saiu correndo do mercado de ações e admitiu as perdas. Quem esperou, já está sendo premiado. O mercado se recuperou (ainda não totalmente) e ainda pode se recuperar mais. É certo, contudo, que a recuperação, se houver, será lenta e gradual.

-Comprar ações na baixa: na ocasião, eu disse que era um bom momento para comprar ações (o fundo do poço do mercado foi mais ou menos em novembro do ano passado). Quem comprou forte naqueles dias, já pode ter visto seu patrimônio crescer quase 90%. Este é o caso, das ações da Petrobras, que, desde novembro do ano passado até hoje, já ganharam 87%. Maravilha não?

Fica aí então duas lições comprovadamente boas para adotar estratégias para o mercado de ações nos próximos anos.

Continuo então recomendando aos investidores que têm um horizonte de investimento de mais de 10 anos que continuem a investir neste mercado.

Um abraço a todos.

quinta-feira, outubro 16, 2008

Dica de leitura

Para quem está em pânico com a crise nas bolsas de valores, aí vai uma sugestão de leitura

terça-feira, outubro 07, 2008

Esse saco tem fundo?

Estão dizendo nos últimos dias que a bolsa de valores virou um saco furado. E virou mesmo. Os mercados no mundo todo não páram de cair e por aqui não está sendo diferente. O preço das ações despencando, muita volatilidade, pânico em todos os mercados.

E agora, o que fazer?

Depende. Se você foi prudente e aplicou na bolsa somente com um objetivo de longo prazo - mais do que cinco anos - e somente uma parte do seu capital, a melhor estratégia é esperar. Não se desespere. Sair agora do mercado (vender as ações) é aceitar a perda e tirar qualquer possibilidade de recuperá-la.

Mas se você fez uma aposta que a bolsa ia subir no curto prazo, más notícias: tudo indica que o mercado vai levar tempo para se recuperar. O mundo está caminhando para uma recessão. As pessoas vão ter menos dinheiro. Vão comprar menos. As empresas vão ganhar menos dinheiro. Vão contratar menos gente, haverá menos renda disponível...Uma bola de neve.

Nesse caso, se você for precisar do dinheiro de qualquer jeito, vá em frente em venda. Venda de forma parcelada, tentando aproveitar alguns raros momentos de alta, para poder pelo menos reduzir as perdas.

Mas se você ainda não entrou no mercado, abra o olho, essa pode ser uma boa hora. Sim! As ações estão baratas - e podem cair ainda mais - mas tudo indica que elas se recuperam no longo prazo. Quanto tempo? Cinco, dez, quem sabe 15 anos. Portanto, pense bem sobre quando você vai precisar do dinheiro. E aplique apenas uma parte do sue capital (15% da poupança prevista). É uma ótima chance de fazer o dinheiro trabalhar pra vc.

E ah, invista em empresas sólidas, tentando imaginá-la num futuro de 15 anos. O que ela vende terá demanda?

Esta semana ainda escrevo mais sobre estratégias que podem ser adotadas em tempos como esse.

domingo, junho 01, 2008

Envelopes mágicos

Tenho falado muito nos últimos posts sobre aplicações financeiras. Fundos de investimento, CDB, poupança, ações, títulos de capitalização. Tudo isso tem sido muito comentado aqui. Instituições que fazem seu dinheiro trabalhar para você. Mas vira e mexe voltamos àquele dilema inicial:


– Isso mesmo, como vou fazer meu dinheiro sobrar para aplicar nestes trabalhadores mágicos?

Me recordo isso ter sido tema de um dos meus primeiros posts aqui no Finanças. Outro dia, conversando com uma grande amiga, me lembrei de uma técnica antiga que eu costumava usar nos tempos mais duros e que costuma ser infalível.


– Que técnica é essa?

É a dos envelopes. Consiste em separar cada um dos gastos previstos no mês em envelopes. Por exemplo, você contabiliza, esse mês vou gastar R$ 200 em lazer, R$ 50 no cabeleireiro, R$ 20 na padaria, R$ 40 no sacolão, R$ 30 em lanches no trabalho. No início do mês, saca a soma dessas despesas – preferencialmente com dinheiro trocado – e guarda os montantes correspondentes em cada um dos envelopes, nomeando-os.

A partir daqui é fácil. Basta, a medida em que os gastos forem acontecendo,tirar o dinheiro dos envelopes correspondentes para honrar os compromissos. Quando o dinheiro, por exemplo, o do lazer, acaba, você simplesmente espera chegar o próximo pagamento. Saiba dizer não a si mesmo e à tentação do cartão de crédito.

Além disso, fazendo isso, ter uma conta corrente perde um pouco do significado. Isso permite que você migre sua conta para conta poupança e deixe de pagar tarifas mensais que vão de R$ 10 a R$ 30. É mais um dinheiro que sobra. Agora é ler os outros posts sobre aplicações e mãos à obra, ou melhor, à poupança!

Uma boa semana.

domingo, maio 11, 2008

Fazendo o pé de meia

Ricardo é fotógrafo em início de carreira. Tem 20 anos, é solteiro, quer ter filhos, e já pensa no dia em que quer parar de trabalhar e curtir a família e as crias. Numa visita ao banco, o gerente de sua conta lhe ofereceu um produto que lhe daria o direito a uma retirada mensal de R$ 5 mil a partir dos 60 anos e que para isso bastava ele autorizar um desconto mensal de uma determinada quantia em sua conta corrente.


É claro que todos sabem estou falando de um plano de previdência. Mas o que muitas pessoas não sabem é que cada um pode fazer seu plano sem a ajuda do banco. E sem ajuda do banco significa, sem pagar taxa de administração, ou seja, ter o mesmo rendimento no futuro, pagando menos por isso hoje!

-E como isso é possível?

Fácil assim: você compra todo mês títulos do governo com vencimento na data de sua aposentadoria. Eu indicaria as NTNs. São títulos corrigidos pela inflação mais um percentual fixo. Hoje, uma NTN com vencimento em 2045 está pagando uma taxa de 6,77% ao ano mais a inflação medida pelo IPCA. Não é lá uma grande rentabilidade, mas a proteção contra a inflação é um grande aliado.

Para comprar NTNs, você deve ser cadastrado numa corretora de valores e pedir uma senha para acessar o Tesouro Direto. Dentro do ambiente de compra do site, você terá de escolher um dos títulos oferecido pelo governo. Se você quiser se aposentar em 2040, por exemplo, é só comprar mensalmente títulos com vencimento naquele ano. Na data, o dinheiro correspondente à compra em títulos é depositado em sua conta na corretora e aí você pode trazê-lo de volta para sua conta corrente.

Depois de transferido de volta para sua conta corrente, não esqueça de aplicá-lo na poupança para que haja um rendimento mensal em cima do valor principal. Desta forma, o dinheiro vai durar muito mais e você só vai retirando o que determinou para si como renda mensal.

Quem quiser saber qual o valor mensal aproximado que deve aplicar nas NTNs para ter uma determinada renda no futuro, basta me mandar um e-mail com nome, idade atual, idade que quer se aposentar e renda mensal desejada na aposentadoria. Prometo responder ao longo da semana.

Uma boa semana financeira a todos.

domingo, maio 04, 2008

Brasil recebe grau de investimento: e daí?

Esta semana o assunto financeiro não foi outro: o Brasil recebeu esta semana o esperado Grau de Investimento de uma das principais agências de classificação de risco do mundo.

Mas afinal o que é isso?

Trocando em miúdos, é um novo patamar de classificação de risco de o Brasil não honrar seus compromissos - leia-se dívidas - financeiros. Um patamar mais baixo é lógico. Explicando de novo, as agências de classificação de risco acham que cada é cada vez menor o risco de o Brasil dar um calote nos tomadores de títulos públicos.

Risco mais baixo significa que mais e mais investidores internacionais vão vir colocar dinheiro por aqui. Além disso, o país e as empresas vão conseguir se financiar com juros mais baratos.

E o que muda em minha vida?

Bem, a tendência é que a economia sofra um baque positivo, já que as empresas vão poder pegar dinheiro emprestado a juros mais baixos para investir. As grandes obras de infra-estrutura, como rodovias, hidrelétricas e de saneamento, vão ficar mais baratas. Com isso deve-se gerar mais empregos e aumentar a renda da população em geral.

Outro efeito na economia deve ser uma desacelerada na inflação, que vinha preocupando a autoridade monetária. Com a entrada de mais dólares dos estrangeiros a cotação da moeda deve cair ainda mais, segurando preços de itens que são impactados pela variação da moeda e incentivando ainda mais as importações. A única possibilidade de o efeito não ser esse é se a demanda for maior que a oferta. É a famosa inflação de demanda.

Deve haver ainda um efeito bacana nos empréstimos. Inflação menor vai representar afrouxamento da política monetária – ajustes para baixo na taxa Selic – e isso pode significar juros mais baixos para financiamento de carro, casa própria e outros bens de consumo.

Para quem investe, devem surgir boas opções no mercado de ações, já que a entrada de mais investidores estrangeiros vai – e já começou a dar – um bom empurrão na Bolsa de Valores. No longo prazo, a tendência é que os ativos se valorizem bastante. Vale sempre lembrar que ação é investimento de risco e sempre deve ser feito de olho no longo prazo. Fuja do daytrade e da especulação. A não ser que você goste de um bom cassino.

Uma boa semana a todos.

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segunda-feira, abril 28, 2008

Assine nosso feed!

Agora, clicando no símbolo do rádio na coluna direita do blog você pode ler o Finanças e Ciladas direto do seu agregador favorito.

Mas o que são esses tais de feed e agregador?

Assinar um feed é como assinar uma revista tradicional. Sempre que há uma nova edição da revista, você recebe-a em casa sem ter que se dirigir às bancas. Com os feeds o processo é semelhante. Ao assinar um feed, você será notificado sempre que houver alguma novidade no site.

Para tanto, você precisa apenas ter um programa leitor de feeds (conhecido como agregador), que pode ser baixado e instalado no seu computador ou funcionar diretamente na internet, assim como os webmails. Eu uso o Google Reader. Você pode entrar com sua senha do Orkut ou Gmail.

Tudo o que você tem a fazer é criar uma conta no serviço (ou entrar com sua conta do Google atual) e adicionar o endereço do nosso feed (para copiar o endereço clique com o botão direito do mouse em cima do link e escolha a opção de “Copiar atalho” ou “Copiar link”). Assim você poderá saber antecipadamente quando houver uma nova edição do Finanças e Ciladas.

Nem sempre

A Denize nos conta que nem sempre comprar um TC é uma cilada. Ela conseguiu com a gerente do banco dela um ótimo trade: adquiriu um TC e em troca pôde aplicar uma quantia pequena em um CDB com retorno de 95% do CDI, podendo aumentar para 97% do CDI nos próximos meses. No Banco Real, por exemplo, aplicando pela internet só se consegue 95% do CDI com R$ 50 mil investidos. 97% do CDI só com R$ 100 mil. O CDI está atualmente em 11,59%. No primeiro caso temos um retorno anual de 11% e no segundo 11,2%.

Que a sorte esteja com você Denize.

domingo, abril 27, 2008

26a edição

Quantos de nós já não recebemos aquele simpático telefonema do telemarketing do nosso banco nos oferecendo os milagrosos títulos de capitalização? Essa é uma prática corriqueira dos nossos bancos e muita gente cai nesse conto do vigário. Para se ter uma idéia, dados da Federação Nacional das Empresas de Capitalização (Fenacap) mostram que ano passado os títulos atingiram arrecadação recorde de R$ 7,83 bilhões.

A jogada é a seguinte: você contribui mensalmente com uma quantia qualquer e cruza os dedos para que seu número seja sorteado. No final do plano, se você não ganhar, o dinheiro é devolvido integralmente e corrigido. Ótimo argumento não é?

- Ah, então é um ótimo negócio?

Se você for o sortudo do pedaço, sim. Vá em frente. No entanto, se você não é nenhum Gastão (do tio Patinhas), pode parar por aí. A correção do seu dinheiro é ridícula, geralmente pela TR (0,1% ao mês) e a probabilidade de você ganhar é bem pequena. Só a título de curiosidade, você conhece alguém que já ganhou com título de capitalização?

Vamos a minha parte preferida. As simulações: Um título que exige uma contribuição mensal de R$ 25 durante 60 meses vai valer R$ 1,6 mil no final do plano. O mesmo dinheiro aplicado na poupança se transformará em R$ 1,8 mil, no Tesouro Direto em R$ 2 mil, na bolsa – levando em consideração o retorno médio dos últimos oito anos – em R$ 2,6 mil.

-Ah mas e seu ganhar?

Parabéns. Mas saiba que só 5% dos participantes ganham. E que a probabilidade de você ser sorteado investindo apenas o retorno da caderneta em bilhetes da Loteria Federal é muito maior. E os prêmios costumam ser melhores.

Os TC são voltados para baixa renda e os bancos obtém retornos altíssimos com sua comercialização. Ou você acha que a atendente do banco é tão simpática com você por causa dos seus belos olhos?

Uma boa semana a todos.

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domingo, abril 13, 2008

25a edição - Fundos vs ações

Com cinco anos de altas, o mercado acionário vem despertando a atenção de parcela cada vez maior da população. Basta ver os seguidos recordes de investidores pessoa física na Bovespa. Além disso, com juros baixos em relação ao passado, os ganhos na renda fixa estão cada vez menores e, com isso, mais e mais pessoas estão procurando o investimento em ações.

Há duas maneiras de investir nelas. Uma é comprá-las diretamente na Bovespa. E isso eu ensinei aqui. A outra maneira é investir nos fundos de ações dos bancos comuns. Isso mesmo, aquele em que você movimenta sua fortuna mensalmente. Entra lá no internet banking e, na seção investimentos, procure os fundos de ações. Tem pra todos os gostos.

Mas a discussão é: qual a melhor maneira de investir em ações? Preparei uma lista de vantagens e desvantagens de ambas que vai ajudá-lo a decidir.

Fundos de ações

· Vantagens
Gestão profissional: A gestão do seu dinheiro é feita por profissionais capacitados, que escolhem as ações com maior potencial de ganhos e menor risco, combinados. A dica aqui é escolher um fundo de ações com gestão ativa, ou seja, que os analistas podem comprar e vender as ações nos momentos em que julgarem mais adequado.

o Menos riscos: Como esses fundos têm grande disponibilidade de recursos, eles conseguem montar uma carteira de ações bastante diversificada, algo talvez que você não conseguisse fazer investindo diretamente em ações

o Diversificação: Com pouco dinheiro, R$ 2 mil por exemplo, você consegue uma diversificação que não conseguiria na compra direta de ações.

· Desvantagens

o Taxa de administração: Não existe almoço grátis (presumo que janta também não). Portanto, o banco vai te cobrar uma taxa para administrar seu dinheiro com competência. As taxas variam de 2% a 5%, dependendo do fundo.

o Taxa de performance: Em alguns fundos é cobrada uma taxa de performance. É algo como se se você ganhar demais, você divide a grana com o banco. Divide não, mas uma parte dos ganhos vão pra eles. Mas se você perde, ninguém socializa prejuízos.

o Imposto: O leão te come 15% de tudo que você ganha.

o Diluição do ganho: Pelas razões acima, o seu ganho acaba diluído. Até mesmo a diversificação excessiva, que seria uma das vantagens, diminui seu potencial de ganhos

Compra direta

· Vantagens

o Isenção de IR: O imposto não leva nada de você se suas movimentações mensais forem abaixo de R$ 20 mil

o Aplicações pequenas: Não só nos fundos de ações dá pra investir pouco dinheiro nos papéis. No mercado acionário, você pode comprar no fracionário (quantidades menores que o lote padrão de 100 ações) e com isso investir pequenas quantias mensalmente. Mas note que quanto menos ações você compra, no caso de a corretagem ser fixa, o valor desta pesa cada vez mais sobre a compra.

o Potencial de ganhos: O potencial de ganhos é maior, porque geralmente você não vai comprar muitas ações de empresas diferentes. Vai ficar lá com três ou quatro papéis apostando neles

o Sem taxas: Não tem taxa de administração, só a de corretagem. Mas algumas corretoras cobram para manter o papel sob custódia. Portanto, fuja destas. A minha não cobra.

· Desvantagens

o Riscos maiores: É óbvio, você pode escolher as ações erradas e perder uma grana. Procure sempre as avaliações das corretoras, sempre olhando o preço alvo (target price, no jargão) da ação e comparando com o preço atual

o Tempo: Você vai precisar ficar acompanhando. Por exemplo, se sua ação atingir o preço alvo é hora de vender. Se você perder a oportunidade, pode não consegui-la depois.

o Conhecimento: É necessário ter o mínimo de conhecimento financeiro, como os múltiplos das ações, o significado do preço alvo, as perspectivas do setor ao qual pertence a empresa investida e as perspectivas da economia.

É isso, espero que eu os tenha ajudado a decidir. Eu tenho apostado num mix entre as duas coisas. É a diversificação da diversificação.

Uma boa semana financeira a todos.

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domingo, abril 06, 2008

24ª edição - Dá pra perder dinheiro?

As pessoas têm me perguntado muito sobre o Tesouro Direto, ultimamente. A principal pergunta que eu ouço é: “mas tem risco de perder dinheiro, não tem?”. A resposta é sim. Primeiro porque não existe aplicação sem risco. Até a poupança tem limite na hora de proteger o aplicador contra perdas. Segundo, é porque as taxas de juros oscilam e é nessa oscilação que se pode perder dinheiro ou deixar de ganhá-lo.

Vamos aos exemplos. Fernanda quer casar com Robson e para isso está aplicando mensalmente no Tesouro Direto, comprando LTNs. No dia em que foi comprar a primeira LTN, com vencimento em um ano, o preço do título era de R$ 892,85. Doze meses depois, ela receberia R$ 1 mil, portanto uma taxa de juros de 12% ao ano.

Mas Fernanda precisou usar o dinheiro antes do vencimento da aplicação: três meses depois da compra do título. Só que nessa época, por causa da crise americana do subprime, os títulos do governo estavam sendo negociados a uma taxa de 20% ao ano. Logo, o valor do título naquele mês era de R$ 872,19, já que o mesmo é calculado trazendo o valor do título na taxa do vencimento ao momento da venda, ou seja, descontando 20% por 9 meses.

Todo mundo já viu que Fernanda teve uma perda de 2,3% no que ela aplicou. Portanto, novamente reitero que é possível sim perder dinheiro no Tesouro Direto, pela oscilação das taxas de juros.

Mas note que se Fernanda tivesse segurado o título até o vencimento, ela não teria perdido nada. Iria ter aplicado os R$ 892,85 hoje e recebido os R$ 1 mil na taxa de vencimento, um retorno de 12%, e com isso os planos de casamento estariam mantidos.

Portanto, se for comprar LTNs, tenha a máxima certeza que poderá ficar com elas até a data de vencimento, e não há risco de perder dinheiro. A não ser que o governo dê um calote, o que é muito difícil, diria impossível, nos dias atuais.

Uma boa semana a todos e ótimas aplicações.

terça-feira, setembro 18, 2007

23ª edição - Reduzindo a conta de luz

Os gastos com energia elétrica geralmente pesam forte no orçamento familiar. Não é raro a conta de luz chegar a R$ 400 numa família com quatro pessoas. Embora a energia no Brasil não seja algo caro – uma vez que a maior parte da geração é hidrelétrica – os impostos e uma série de outras continhas embutidas na conta de luz encarecem e muito essa despesa familiar.

É fato que precisamos da energia elétrica para viver. Ela está em quase tudo o que fazemos: ilumina os ambientes, aquece a água e alimentos, resfria o ar e conserva alimentos, faz funcionar a TV, o som, o DVD, carrega nossas pilhas e baterias, alimenta nossos computadores. Aliás, essas linhas não seriam possíveis sem ela.

Já que ela está tão presente em nossa vida e não temos como prescindir dela, temos que usá-la da forma mais racional possível, uma vez que além pesarem forte no bolso – em alguns casos chega a comprometer mais de 10% do orçamento – recursos naturais são consumidos para produzi-la. Economizando, você faz bem ao seu bolso e ao planeta.

Apesar de muita gordura ter sido queimada no racionamento de energia de 2001 e 2002 e hoje o consumo médio residencial ainda não ter recuperado os níveis daquela época, há muito ainda em que economizar. Vamos a algumas dicas.

Lâmpadas: Troque as lâmpadas incandescentes por lâmpadas econômicas. Elas custam mais, mas reduzem o consumo de energia com iluminação em até 85%. Existem lâmpadas econômicas com luz amarelada, como as incandescentes. Então, não gostar daquele tom de luz branca não é desculpa para não trocar a iluminação da casa.

Chuveiro elétrico: O maior vilão. Prefira aquecedores a gás instalados em áreas bem ventiladas. Uma outra opção econômica são os sistemas de aquecimento com painéis solares. Diversos condomínios de Belo Horizonte usam e aprovam este tipo de equipamento. Eles já são viáveis economicamente e existem linhas de financiamento específicas para elas. Converse com seu síndico. Na impossibilidade de qualquer uma dessas opções, limite o tempo do seu banho a no máximo 5 minutos. É um tempo bem razoável. O ideal é que seja 2,5 minutos.

Geladeiras e ar-condicionados: Só compre com o selo Procel, no nível de eficiência “A”. Geladeiras frost free consomem mais energia que as convencionais. Se não há dinheiro para trocar a geladeira, verifique as borrachas das portas. O vazamento força o motor da mesma a trabalhar mais. Para o ar condicionado, uma dica específica. Compre o que atenda à sua demanda. Não adianta comprar um ar de 7.000 BTUs para um salão e é desperdício comprar um de 15 mil BTUs para resfriar um quarto pequeno.

Ar condicionado: Nos dormitórios instale-os sempre numa altura de no máximo 1,20 m. Como o ar frio é mais pesado, a tendência é que ele vá para baixo. Numa altura de 1,20m, a área a ser resfriada é quase a metade do que a de um ar instalado a 2 m de altura. Afinal, se você vai dormir no ambiente, não é necessário resfriar o teto, só a altura da cama. A não ser que você durma em uma beliche, essa é a melhor opção.

Torradeiras e sanduicheiras: Evite. Transformar energia elétrica em calor é um dos maiores desperdícios da natureza. O misto quente preparado naquelas velhas chapas no fogão fica tão gostoso quanto se preparado na sanduicheira.

Ferro de passar: Passe todas as roupas de uma vez. Ligar o ferro todos os dias é um enorme desperdício.

Computador: Ajuste seu monitor para desligar automaticamente depois de 2 minutos sem uso. O monitor é o que mais consome energia em um computador. Para isso clique com o botão direito em qualquer ponto vazio da área de trabalho, entre em , vá até a aba e na parte inferior da tela onde está escrito clique em . Em ajuste o tempo para 2 minutos e clique em . Pronto.

Microondas: só use para aquecer alimentos, nunca para prepará-los.

Ventiladores: Prefira os de chão. Ventiladores de teto costumam ficar ligados o dia todo, sem ter ninguém para “ventilar”. Pela dificuldade de carregar os ventiladores de chão pra lá e para cá, é provável que ele passe menos tempo ligado. Ainda se ele passar o tempo todo ligado, seu consumo é menor do que o dos ventiladores de teto.

Posso garantir a meus leitores que se essas ações forem implementadas, o consumo de energia pode chegar a cair 50%, ou mais. Acho que vale o sacrifício.

Uma boa semana a todos

domingo, setembro 02, 2007

22ª edição - Cuidado com a Caixa!

Esta semana todos os jornais deram efusivamente a notícia de que o prazo para financiamento de imóveis da Caixa Econômica Federal (CEF) aumentou de 20 para 30 anos. O Globo, por exemplo, destacava em sua reportagem, que, com a mudança, a prestação reduziria-se em cerca de 17% para um financiamento de R$ 80 mil.

Fico impressionado – e outras pessoas vieram falar o mesmo comigo – como os jornais simplesmente não conseguem ver o outro lado dos fatos ao transformá-los em notícia. Sem nenhum conhecimento financeiro, dá pra notar a falcatrua. Ou seja, você fica pagando o imóvel dez (!) anos a mais, para ter uma prestação apenas 17% menor. Dez anos é uma vida.

Na simulação feita pelo O Globo um financiamento de 80 mil durante 20 anos, incluindo taxas daria uma prestação mensal de R$ 992,79, a uma taxa anual de 8,66% mais TR. Pelas novas regras, o valor da mensalidade cai para R$ 824,69 num financiamento de 30 anos, com uma taxa de juros de 8,16%.

Na prática, aumenta-se o prazo em dez anos (50%) e derruba-se os juros em apenas 0,5 ponto percentual ao ano (5%) . Porque não o contrário? Aplicando a prestação menor no pior investimento possível – a poupança – por 30 anos você terá ao final do período nada menos do que R$ 998 mil, ou seja, quase R$ 1 milhão.

O que os jornais tinham de dizer é que não é o prazo de 20 anos que é ruim, mas sim as taxas de juros que são exorbitantes. Um roubo. Do jeito que as notícias são dadas, fica-se a impressão que o crédito está cada vez mais acessível no Brasil. O mesmo vem acontecendo com automóveis e outros bens duráveis.

Só como consultoria financeira, quem quiser juntar R$ 100 mil para comprar um apartamento e dispõe por exemplo de cerca de R$ 600 para aplicar mensalmente, basta comprar todo mês a quantia em títulos do Tesouro Direto, durante 8 anos e 11 meses. Voilá! Seus R$ 100 mil estarão lá!

Uma boa semana a todos

domingo, agosto 26, 2007

21ª edição - Financiamento de veículos

Uma matéria no caderno de automóveis do jornal O Globo da semana passada é bastante ilustrativa sobre o poder dos juros, para o mal ou para o bem. A matéria denuncia uma prática que as agências de automóveis, orientadas pelas financeiras, vêm seguindo já há algum tempo no Brasil.

Trata-se de colocar um fator – conhecido como fator R – nos juros cobrados aos clientes pela compra dos veículos. Em resumo, quanto mais fácil for vender um veículo ou quanto menos benefícios obtiver o cliente, maior o fator colocado em cima dos juros. Com isso, as taxas variam de 0,99% a 1,89% ao mês.

Na prática, o vendedor coloca de cara o fator R mais alto e vai diminuindo conforme o cliente pesquisa ou barganha preços.

Vamos a um exemplo de um carro usado de R$ 15 mil, financiado em 60 meses, como é muito comum por aí. Com a taxa máxima, ou seja o fator R mais alto, as prestações saem por R$ 420 (!). Com a mínima, R$ 332. Uma diferença de R$ 87, que aplicados a juros de poupança dão no final do período R$ 6,2 mil. Quase metade do valor do carro (!!).

Não se esqueça que nessa operação você desembolsou R$ 25,2 mil no primeiro caso e R$ 19,9 mil no segundo.

Mas agora vem a melhor parte. Se a compra for bem planejada, é só colocar R$ 584 mensalmente durante dois anos na poupança e você compra este mesmo carrinho, tendo que aplicar na prática R$ 14 mil, ou seja, R$ 1 mil a menos do que o valor do carro. Os outros R$ 1mil os juros te dão.

Por isso, em primeiro lugar, antes de comprar procure se informar sobre a taxa de juros. Tente sempre a menor possível Mas tenha em mente que o prêmio pela espera pode ser altamente recompensador. Por isso, vale a pena ser organizado. E isso não é ser pão duro. É ser inteligente.

Uma boa semana a todos.

domingo, agosto 05, 2007

20ª edição - Colocar ou não GNV?

Até que ponto vale a pena converter o seu veículo para usar Gás Natural Veicular (GNV)? As pessoas tendem a achar que estão sempre fazendo bom negócio quando convertem seus veículos, em função do preço do gás e do desconto de 74% dado no Imposto sobre Veículos Automotores (IPVA). Nem sempre isso ocorre. O Finanças e Ciladas vai ajudar você a decidir.

Primeiro você tem de saber a quilometragem média percorrida por mês. Fizemos várias simulações com o gasto que se teria com um Uno Mille zero km a gasolina e outro convertido para o GNV. Levamos em consideração um IPVA de R$ 1.071 para o carro a gasolina e R$ 411,29 para o carro equipado com o GNV. Anualizamos esse gasto, como se o proprietário do veículo colocasse todo mês uma quantia na poupança para pagar o imposto a vista ao final de 12 meses. No caso do carro a gasolina seriam R$ 87 mensais, no do GNV, R$ 33. O consumo de gasolina do Uno é de 12 km/l e o de gás 13 km/m3.

Levamos em conta ainda a instalação de um kit de GNV, que sai nas lojas do Rio de Janeiro por R$ 2 mil em média. Fizemos a instalação financiando o valor em 18 vezes, que nos deu prestações de R$ 171, e a vista.

Vamos aos resultados. Durante o período de pagamento das prestações, não importa a quilometragem – de 100 a 900 km mensais – você sempre irá gastar mais mensalmente depois da instalação do kit gás. Basicamente por conta das prestações de R$ 171, calculadas num financiamento com juros de 5% ao mês. Na melhor das hipóteses, andando 900 km por mês, com o GNV você ainda gastaria R$ 16 a mais por mês. Andando só 100 km, gastaria R$ 107 a mais com o gás.

No exemplo em que o motorista percorre 900 km mensais, os R$ 16 durante os 18 meses a juros de poupança vale no fim do pagamento das prestações R$ 302. Esse valor é recuperado em mais dois meses com a economia de R$ 150 aproximados. Mas para quem anda os 100 km mensais, o valor gasto a mais no período das prestações é no fim das contas R$ 2 mil aproximadamente. Para recuperar esse valor com a economia mensal de R$ 64 após o pagamento das prestações, o proprietário do veículo vai precisar de mais 30 meses. Ou seja, quatro anos para recuperar todo o investimento. Um caso, intermediário, 450 km/mês, gera um passivo de R$ 1,2 mil, que se recupera em 19 meses com a economia mensal após o pagamento das prestações. Ou seja, ao todo três anos e um mês.

Se você já têm o dinheiro e resolver pagar a vista, as contas podem ficar a seu favor mais rápido. Andando 100 km por mês, há uma economia de R$ 64 mensais com o uso do gás. Mas para que esse investimento compense os R$ 2 mil investidos no kit, serão necessários nada menos do que 29 meses aplicando mensalmente a economia na poupança. Para quem anda 500 km/mês, a economia é de R$ 109 mensais, que dá pra reverter em 16 meses aproximadamente. Para quem anda 900 km mês, em 8 meses dá pra reverter o investimento e passa a ganhar.

A conclusão é: se você tem o dinheiro a vista ou pode pagar em algumas poucas vezes sem juros, a instalação do kit gás pode retornar de 8 a 29 meses, um tempo bem razoável. Mas se você vai entrar num caro financiamento para bancar a instalação do kit , é melhor continuar usando a gasolina, pois o investimentos pode demorar até 4 anos para retornar. Você está disposto a esperar isso tudo?

Não fizemos a simulação para um carro a álcool pra não complicar ainda mais a vida do gás e nem contamos que a manutenção do veículo com gás natural é sempre mais cara. O desgaste de algumas peças é bem mais rápido.

Enfim, use a cabeça antes de decidir converter o seu carro. Uma boa semana a todos.

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domingo, julho 29, 2007

19ª edição - Turbulências

Esta semana o mercado acionário mundial passou por uma grande turbulência, em função do temor dos analistas de mercado de que a bolha imobiliária dos EUA estoure a qualquer momento e cause uma recessão mundial. No Brasil, o Ibovespa – índice que compreende as ações mais negociadas da Bolsa de São Paulo – sentiu o baque e caiu 7,87% nesta última semana. É hora de sair do mercado então? Não!

O Ibovespa bateu todos os recordes este ano e o mercado realmente está caro. Mas não é quando as bolsas caem que você deve retirar o dinheiro. Pode parecer incrível, mas esse é o maior erro que as pessoas cometem. Como eu canso de dizer, ações são investimentos de longo prazo. A não ser que o mundo entre numa recessão muito profunda, no longo prazo elas tendem a crescer.

Uma dica nestes momentos é conversar com seu analista sobre ações que sejam menos impactadas por uma prometida recessão mundial. Existem empresas – por exemplo transmissoras de energia – que sofrem menor impacto em caso de crise econômica porque suas receitas já são conhecidas pelos próximos 15, 20, 30 anos. Isso dá uma segurança extra ao investidor.

Um outro ramo que pode ser atraente é o de saúde. Existem companhias abertas no ramo e em franca expansão, crescendo a economia ou não. Claro que elas também são atingidas por uma recessão, mas em menor escala que uma Vale do Rio Doce, que vende aço para o mundo todo, produto que tem tudo a ver com economia crescendo e não, minguando.

O importante é conversar com o analista da sua corretora sobre quais papéis podem ser interessantes diante de um quadro de possível crise econômica mundial. Há sempre uma boa empresa que pode trazer bons retornos.

Uma boa semana.

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