domingo, abril 27, 2008

26a edição

Quantos de nós já não recebemos aquele simpático telefonema do telemarketing do nosso banco nos oferecendo os milagrosos títulos de capitalização? Essa é uma prática corriqueira dos nossos bancos e muita gente cai nesse conto do vigário. Para se ter uma idéia, dados da Federação Nacional das Empresas de Capitalização (Fenacap) mostram que ano passado os títulos atingiram arrecadação recorde de R$ 7,83 bilhões.

A jogada é a seguinte: você contribui mensalmente com uma quantia qualquer e cruza os dedos para que seu número seja sorteado. No final do plano, se você não ganhar, o dinheiro é devolvido integralmente e corrigido. Ótimo argumento não é?

- Ah, então é um ótimo negócio?

Se você for o sortudo do pedaço, sim. Vá em frente. No entanto, se você não é nenhum Gastão (do tio Patinhas), pode parar por aí. A correção do seu dinheiro é ridícula, geralmente pela TR (0,1% ao mês) e a probabilidade de você ganhar é bem pequena. Só a título de curiosidade, você conhece alguém que já ganhou com título de capitalização?

Vamos a minha parte preferida. As simulações: Um título que exige uma contribuição mensal de R$ 25 durante 60 meses vai valer R$ 1,6 mil no final do plano. O mesmo dinheiro aplicado na poupança se transformará em R$ 1,8 mil, no Tesouro Direto em R$ 2 mil, na bolsa – levando em consideração o retorno médio dos últimos oito anos – em R$ 2,6 mil.

-Ah mas e seu ganhar?

Parabéns. Mas saiba que só 5% dos participantes ganham. E que a probabilidade de você ser sorteado investindo apenas o retorno da caderneta em bilhetes da Loteria Federal é muito maior. E os prêmios costumam ser melhores.

Os TC são voltados para baixa renda e os bancos obtém retornos altíssimos com sua comercialização. Ou você acha que a atendente do banco é tão simpática com você por causa dos seus belos olhos?

Uma boa semana a todos.

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domingo, abril 13, 2008

25a edição - Fundos vs ações

Com cinco anos de altas, o mercado acionário vem despertando a atenção de parcela cada vez maior da população. Basta ver os seguidos recordes de investidores pessoa física na Bovespa. Além disso, com juros baixos em relação ao passado, os ganhos na renda fixa estão cada vez menores e, com isso, mais e mais pessoas estão procurando o investimento em ações.

Há duas maneiras de investir nelas. Uma é comprá-las diretamente na Bovespa. E isso eu ensinei aqui. A outra maneira é investir nos fundos de ações dos bancos comuns. Isso mesmo, aquele em que você movimenta sua fortuna mensalmente. Entra lá no internet banking e, na seção investimentos, procure os fundos de ações. Tem pra todos os gostos.

Mas a discussão é: qual a melhor maneira de investir em ações? Preparei uma lista de vantagens e desvantagens de ambas que vai ajudá-lo a decidir.

Fundos de ações

· Vantagens
Gestão profissional: A gestão do seu dinheiro é feita por profissionais capacitados, que escolhem as ações com maior potencial de ganhos e menor risco, combinados. A dica aqui é escolher um fundo de ações com gestão ativa, ou seja, que os analistas podem comprar e vender as ações nos momentos em que julgarem mais adequado.

o Menos riscos: Como esses fundos têm grande disponibilidade de recursos, eles conseguem montar uma carteira de ações bastante diversificada, algo talvez que você não conseguisse fazer investindo diretamente em ações

o Diversificação: Com pouco dinheiro, R$ 2 mil por exemplo, você consegue uma diversificação que não conseguiria na compra direta de ações.

· Desvantagens

o Taxa de administração: Não existe almoço grátis (presumo que janta também não). Portanto, o banco vai te cobrar uma taxa para administrar seu dinheiro com competência. As taxas variam de 2% a 5%, dependendo do fundo.

o Taxa de performance: Em alguns fundos é cobrada uma taxa de performance. É algo como se se você ganhar demais, você divide a grana com o banco. Divide não, mas uma parte dos ganhos vão pra eles. Mas se você perde, ninguém socializa prejuízos.

o Imposto: O leão te come 15% de tudo que você ganha.

o Diluição do ganho: Pelas razões acima, o seu ganho acaba diluído. Até mesmo a diversificação excessiva, que seria uma das vantagens, diminui seu potencial de ganhos

Compra direta

· Vantagens

o Isenção de IR: O imposto não leva nada de você se suas movimentações mensais forem abaixo de R$ 20 mil

o Aplicações pequenas: Não só nos fundos de ações dá pra investir pouco dinheiro nos papéis. No mercado acionário, você pode comprar no fracionário (quantidades menores que o lote padrão de 100 ações) e com isso investir pequenas quantias mensalmente. Mas note que quanto menos ações você compra, no caso de a corretagem ser fixa, o valor desta pesa cada vez mais sobre a compra.

o Potencial de ganhos: O potencial de ganhos é maior, porque geralmente você não vai comprar muitas ações de empresas diferentes. Vai ficar lá com três ou quatro papéis apostando neles

o Sem taxas: Não tem taxa de administração, só a de corretagem. Mas algumas corretoras cobram para manter o papel sob custódia. Portanto, fuja destas. A minha não cobra.

· Desvantagens

o Riscos maiores: É óbvio, você pode escolher as ações erradas e perder uma grana. Procure sempre as avaliações das corretoras, sempre olhando o preço alvo (target price, no jargão) da ação e comparando com o preço atual

o Tempo: Você vai precisar ficar acompanhando. Por exemplo, se sua ação atingir o preço alvo é hora de vender. Se você perder a oportunidade, pode não consegui-la depois.

o Conhecimento: É necessário ter o mínimo de conhecimento financeiro, como os múltiplos das ações, o significado do preço alvo, as perspectivas do setor ao qual pertence a empresa investida e as perspectivas da economia.

É isso, espero que eu os tenha ajudado a decidir. Eu tenho apostado num mix entre as duas coisas. É a diversificação da diversificação.

Uma boa semana financeira a todos.

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domingo, abril 06, 2008

24ª edição - Dá pra perder dinheiro?

As pessoas têm me perguntado muito sobre o Tesouro Direto, ultimamente. A principal pergunta que eu ouço é: “mas tem risco de perder dinheiro, não tem?”. A resposta é sim. Primeiro porque não existe aplicação sem risco. Até a poupança tem limite na hora de proteger o aplicador contra perdas. Segundo, é porque as taxas de juros oscilam e é nessa oscilação que se pode perder dinheiro ou deixar de ganhá-lo.

Vamos aos exemplos. Fernanda quer casar com Robson e para isso está aplicando mensalmente no Tesouro Direto, comprando LTNs. No dia em que foi comprar a primeira LTN, com vencimento em um ano, o preço do título era de R$ 892,85. Doze meses depois, ela receberia R$ 1 mil, portanto uma taxa de juros de 12% ao ano.

Mas Fernanda precisou usar o dinheiro antes do vencimento da aplicação: três meses depois da compra do título. Só que nessa época, por causa da crise americana do subprime, os títulos do governo estavam sendo negociados a uma taxa de 20% ao ano. Logo, o valor do título naquele mês era de R$ 872,19, já que o mesmo é calculado trazendo o valor do título na taxa do vencimento ao momento da venda, ou seja, descontando 20% por 9 meses.

Todo mundo já viu que Fernanda teve uma perda de 2,3% no que ela aplicou. Portanto, novamente reitero que é possível sim perder dinheiro no Tesouro Direto, pela oscilação das taxas de juros.

Mas note que se Fernanda tivesse segurado o título até o vencimento, ela não teria perdido nada. Iria ter aplicado os R$ 892,85 hoje e recebido os R$ 1 mil na taxa de vencimento, um retorno de 12%, e com isso os planos de casamento estariam mantidos.

Portanto, se for comprar LTNs, tenha a máxima certeza que poderá ficar com elas até a data de vencimento, e não há risco de perder dinheiro. A não ser que o governo dê um calote, o que é muito difícil, diria impossível, nos dias atuais.

Uma boa semana a todos e ótimas aplicações.

terça-feira, setembro 18, 2007

23ª edição - Reduzindo a conta de luz

Os gastos com energia elétrica geralmente pesam forte no orçamento familiar. Não é raro a conta de luz chegar a R$ 400 numa família com quatro pessoas. Embora a energia no Brasil não seja algo caro – uma vez que a maior parte da geração é hidrelétrica – os impostos e uma série de outras continhas embutidas na conta de luz encarecem e muito essa despesa familiar.

É fato que precisamos da energia elétrica para viver. Ela está em quase tudo o que fazemos: ilumina os ambientes, aquece a água e alimentos, resfria o ar e conserva alimentos, faz funcionar a TV, o som, o DVD, carrega nossas pilhas e baterias, alimenta nossos computadores. Aliás, essas linhas não seriam possíveis sem ela.

Já que ela está tão presente em nossa vida e não temos como prescindir dela, temos que usá-la da forma mais racional possível, uma vez que além pesarem forte no bolso – em alguns casos chega a comprometer mais de 10% do orçamento – recursos naturais são consumidos para produzi-la. Economizando, você faz bem ao seu bolso e ao planeta.

Apesar de muita gordura ter sido queimada no racionamento de energia de 2001 e 2002 e hoje o consumo médio residencial ainda não ter recuperado os níveis daquela época, há muito ainda em que economizar. Vamos a algumas dicas.

Lâmpadas: Troque as lâmpadas incandescentes por lâmpadas econômicas. Elas custam mais, mas reduzem o consumo de energia com iluminação em até 85%. Existem lâmpadas econômicas com luz amarelada, como as incandescentes. Então, não gostar daquele tom de luz branca não é desculpa para não trocar a iluminação da casa.

Chuveiro elétrico: O maior vilão. Prefira aquecedores a gás instalados em áreas bem ventiladas. Uma outra opção econômica são os sistemas de aquecimento com painéis solares. Diversos condomínios de Belo Horizonte usam e aprovam este tipo de equipamento. Eles já são viáveis economicamente e existem linhas de financiamento específicas para elas. Converse com seu síndico. Na impossibilidade de qualquer uma dessas opções, limite o tempo do seu banho a no máximo 5 minutos. É um tempo bem razoável. O ideal é que seja 2,5 minutos.

Geladeiras e ar-condicionados: Só compre com o selo Procel, no nível de eficiência “A”. Geladeiras frost free consomem mais energia que as convencionais. Se não há dinheiro para trocar a geladeira, verifique as borrachas das portas. O vazamento força o motor da mesma a trabalhar mais. Para o ar condicionado, uma dica específica. Compre o que atenda à sua demanda. Não adianta comprar um ar de 7.000 BTUs para um salão e é desperdício comprar um de 15 mil BTUs para resfriar um quarto pequeno.

Ar condicionado: Nos dormitórios instale-os sempre numa altura de no máximo 1,20 m. Como o ar frio é mais pesado, a tendência é que ele vá para baixo. Numa altura de 1,20m, a área a ser resfriada é quase a metade do que a de um ar instalado a 2 m de altura. Afinal, se você vai dormir no ambiente, não é necessário resfriar o teto, só a altura da cama. A não ser que você durma em uma beliche, essa é a melhor opção.

Torradeiras e sanduicheiras: Evite. Transformar energia elétrica em calor é um dos maiores desperdícios da natureza. O misto quente preparado naquelas velhas chapas no fogão fica tão gostoso quanto se preparado na sanduicheira.

Ferro de passar: Passe todas as roupas de uma vez. Ligar o ferro todos os dias é um enorme desperdício.

Computador: Ajuste seu monitor para desligar automaticamente depois de 2 minutos sem uso. O monitor é o que mais consome energia em um computador. Para isso clique com o botão direito em qualquer ponto vazio da área de trabalho, entre em , vá até a aba e na parte inferior da tela onde está escrito clique em . Em ajuste o tempo para 2 minutos e clique em . Pronto.

Microondas: só use para aquecer alimentos, nunca para prepará-los.

Ventiladores: Prefira os de chão. Ventiladores de teto costumam ficar ligados o dia todo, sem ter ninguém para “ventilar”. Pela dificuldade de carregar os ventiladores de chão pra lá e para cá, é provável que ele passe menos tempo ligado. Ainda se ele passar o tempo todo ligado, seu consumo é menor do que o dos ventiladores de teto.

Posso garantir a meus leitores que se essas ações forem implementadas, o consumo de energia pode chegar a cair 50%, ou mais. Acho que vale o sacrifício.

Uma boa semana a todos

domingo, setembro 02, 2007

22ª edição - Cuidado com a Caixa!

Esta semana todos os jornais deram efusivamente a notícia de que o prazo para financiamento de imóveis da Caixa Econômica Federal (CEF) aumentou de 20 para 30 anos. O Globo, por exemplo, destacava em sua reportagem, que, com a mudança, a prestação reduziria-se em cerca de 17% para um financiamento de R$ 80 mil.

Fico impressionado – e outras pessoas vieram falar o mesmo comigo – como os jornais simplesmente não conseguem ver o outro lado dos fatos ao transformá-los em notícia. Sem nenhum conhecimento financeiro, dá pra notar a falcatrua. Ou seja, você fica pagando o imóvel dez (!) anos a mais, para ter uma prestação apenas 17% menor. Dez anos é uma vida.

Na simulação feita pelo O Globo um financiamento de 80 mil durante 20 anos, incluindo taxas daria uma prestação mensal de R$ 992,79, a uma taxa anual de 8,66% mais TR. Pelas novas regras, o valor da mensalidade cai para R$ 824,69 num financiamento de 30 anos, com uma taxa de juros de 8,16%.

Na prática, aumenta-se o prazo em dez anos (50%) e derruba-se os juros em apenas 0,5 ponto percentual ao ano (5%) . Porque não o contrário? Aplicando a prestação menor no pior investimento possível – a poupança – por 30 anos você terá ao final do período nada menos do que R$ 998 mil, ou seja, quase R$ 1 milhão.

O que os jornais tinham de dizer é que não é o prazo de 20 anos que é ruim, mas sim as taxas de juros que são exorbitantes. Um roubo. Do jeito que as notícias são dadas, fica-se a impressão que o crédito está cada vez mais acessível no Brasil. O mesmo vem acontecendo com automóveis e outros bens duráveis.

Só como consultoria financeira, quem quiser juntar R$ 100 mil para comprar um apartamento e dispõe por exemplo de cerca de R$ 600 para aplicar mensalmente, basta comprar todo mês a quantia em títulos do Tesouro Direto, durante 8 anos e 11 meses. Voilá! Seus R$ 100 mil estarão lá!

Uma boa semana a todos